É desnecessário comentar a forma com que a tecnologia está mudando o nosso modo de viver.
Nas grandes e médias cidades do país, palavras antes desconhecidas tornam-se comuns na boca das pessoas comuns. É rede wi-fi, smartphones, ipad, iphone, blog, twitter, enfim, uma nova forma de vida chegou para ficar. Até quando eu não sei.
Lembro-me como se fosse hoje. Eu cursava uma faculdade no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Campinas, no final da década de 80 início da de 90.
Por volta do ano de 1992 meu pai comprou um celular e assinou um serviço de telefonia móvel ( que tinha fila de semanas para atender as solicitações). O celular era um Motorola PT 550 (vide foto abaixo). Era um espetáculo.

A idéia de falar com outras pessoas, fora da minha casa, era simplesmente sensacional.
Se você reclama hoje da falta de sinal no celular, precisa voltar no tempo e relembrar aqueles momentos. O raro era encontrar sinal. Uma ligação custava uma fortuna, e todos adoravam mostrar aos outros que tinham evoluído do saudoso PAGER (força de expressão), para uma tecnologia totalmente interativa. Foi o início de uma nova era.
Nessa época não tínhamos notebooks, e a comida congelada começava a surgir nos supermercados. Lembro-me que comprei uma lasanha da swift, com o prazo de validade, “fora da geladeira”, de dois anos. Isso sim que era tecnologia…..imagine o que não colocavam dentro dela para durar tanto. Nunca cheguei a prová-la.
Pouco mais de 20 anos se passaram, e o que era embrionário e promissor tornou-se uma realidade absoluta. De lá para cá, as tecnologias da comunicação, conectividade, a internet como compêndio informal do conhecimento e da estupidez humana, os microcomputadores que foram substituídos pelo netbooks e agora pelos tablets, os celulares inteligentes, as novas máquinas e equipamentos que prolongam a vida, outros que sustentam a vida, casas inteligentes que operam à distância, carros que andam, param e estacionam sozinhos, enfim, uma tonelada de “gadgets” que há vinte anos atrás não nos faziam a menor falta, hoje indispensáveis numa sociedade moderna que busca produtividade, conforto, informação, velocidade, segurança, status, enfim, cada um de nós tem uma justificativa e uma necessidade para consumir tecnologia.
O próximo passo é mais profundo e transformador, é a chamada “nanotecnologia”. Nesse universo microscópio é que reside a grande transformação tecnológica que a humanidade poderá presenciar. Ela estará presente em todas as áreas, na medicina, engenharia, nos medicamentos, na biologia, na química na física, enfim, em todos os campos do conhecimento humano, utilizaremos nanodispositivos, de tamanho microscópico, para acelerar o processo de cura dos tecidos, para modificar a estrutura de uma célula, para fortalecer uma liga metálica, para controlar infecções, para estabilizar um composto químico, enfim, para transcendermos os limites até então conhecidos.
Onde isso tudo vai parar eu não sei, mas como tudo na vida, e como dizia meu querido avô nascido num Líbano destruído pela guerra e sem nenhuma tecnologia, “o segredo da vida está no meio termo”. Nem muito nem pouco, nem quente nem frio, o meio é o equilíbrio. Até oxigênio demais faz mal à saúde.
Assim como testificou Albert Einstein aos repórteres, quando questionado como seria a terceira Guerra Mundial. Ele disse: “Não sei como será a terceira Guerra Mundial, mas quarta eu sei, será com pedras e paus”. Ele mostrou mais uma vez a sua genialidade em suscitar aos formadores de opinião, que a tecnologia em questão (a fusão atômica) poderia resultar no fim de um ciclo da humanidade se não fosse bem utilizada.
Veja todos os dias, as pessoas falando nos celulares, ouvindo música, respondendo e-mail, mandando torpedos, falando em conferência, gastando horas dentro de uma comunidade virtual, enfim, utilizando a tecnologia como forma de opressão e de stress, de cobrança e de ausência. E cada mais sozinhas.
Afinal de contas, de que serve a conectividade se ela não nos dá mais tempo para as coisas importantes? Se ela nos separa daqueles que amamos, se ela aumenta ainda mais a pressão, o stress e a fuga da realidade.
Quantas pessoas se tratam de problemas psicológicos por razão de um ciclo de escravidão tecnológica.
Quantos casamentos desfeitos, quantos filhos entristecidos, quantas experiência não vividas.
Penso que a vida é um grande ciclo, e chegará o momento em que as pessoas perceberão que vivem uma escravidão travestida de modernidade. Nesse dia, em tudo buscarão por sua liberdade, mas não a encontrarão. Libertar-se da tecnologia é mais complicado do que parece. Todos nós construímos nossas empresas, empregos, rotinas e processos em cima da tecnologia. Largá-la para trás é uma tarefa dura, que implicará reaprendermos os valores esquecidos.
Ao me aproximar de Deus pude enxergar a pequeneza de todas essas coisas. Percebi que Ele, na sua infinita superioridade, jamais construiu um equipamento eletrônico sequer. Ao invés disso criou coisas mais complexas, criou o equilíbrio e a vida sustentável. Ao crescer em consciência e ambição, o homem desconstruiu tudo isso. Perdemos o equilíbrio, e a vida tornou-se insustentável. Será que Deus estava errado quando criou o universo? Ou você é daqueles que perdem uma vida inteira, para provar que não foi Deus que criou o universo, mas uma explosão……e eu fico me perguntando quem foi que colocou tamanha energia numa partícula, para que a sua energia continuasse se propagando depois de 10 bilhões de ano. Isso é que é explosão. Mas para o homem explicar isso, terá que gastar muitas gerações, dinheiro e tecnologia, e no final encontrará o autor dessa façanha.
Não sejamos como os céticos, que gastam uma vida inteira para provar o que os antigos e simplórios já sabiam. Gaste seu dinheiro com inteligência, e use a tecnologia para o seu próprio bem, e o de sua família. Invista nos relacionamentos.
Eu vivi num mundo em que não existiam e-mail´s, celulares, internet e ipads, e posso dizer do fundo do coração que fui muito feliz, e que tenho saudades de quando o relacionamento humano e a presença “mental” existia entre as pessoas. As famílias conversavam, as pessoas olhavam uns nos olhos dos outros, percebíamos a vida passar diante dos nosso olhos. Tenho saudades.
Para quem lê esse texto e não me conhece, imagina que sou um velho saudosista, de 41 anos, retrógrado, avesso à tecnologia e à internet. Muito pelo contrário, vivo tudo isso intensamente e nos mais altos níveis. E é por isso que sinto saudade das coisas simples. Da liberdade de ir e vir sem me preocupar se o meu celular (com voz, torpedo, skype, MSN, Twitter, tudo junto) está vibrando, pensando: “será que é algo importante?”
Feliz é meu pai que liga o telefone quando deseja falar com alguém, e o desliga na sequência. Que inveja. Isso sim é que é liberdade. A capacidade de fazer escolhas pouco ortodoxas, e arcar com a suas consequências.
Adoro a tecnologia, mas desgosto da forma com que ela me consome.
Façamos nós cada um a sua parte, tomemos cada um a sua decisão. A minha é a de ser feliz, custe o que custar.
Paz,
Marco Antonio Geraigire
GERAIGIRE – SOLUÇÕES PARA O VAREJO
25 25UTC janeiro 25UTC 2011
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